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Walton hoffmann WALTON HOFFMANN |
Suas telas em
branco-e-preto e suas composições de objetos, caixas compridas em as imagens se agrupam separadamente em quadradinhos coloridos, seguem a lógica de uma tradição. Reverberam a sedução de um imaginário nutrido na infância com brincadeiras
visuais. Hoffmann cresceu compartilhando com os avós suecos brincadeiras marcadas por jogos de memória e associação e recortes de figuras no papel que se tornavam jogos de sombras. Ações que se tornaram matéria-prima para a criação de um alfabeto idiossincrático. Repleta de figuras que perseguem sentido, história e memória, a obra de Walton Hoffmann se torna então texto. Texto que é figura. Figura que é hieroglifo. O jogo de composição desraigada de imagens reconhecíveis toma a forma um ideograma que se decifra como uma charada à medida em que soma às experiências de vida do observador. Revivendo uma brincadeira de infância, de sua cultura ancestral, o artista persegue nas formas que apresenta a construção de uma memória que abarque um tempo e um espaço universais, capaz de abraçar a vida humana em sua totalidade. E o artista põe-se a seguir tal empreitada com espantosa simplicidade. Alia aspectos de transparência à lisura excessiva da tela, trabalhada obsessivamente para perseguir o apagamento do esforço da mão humana. São características que parecem reforçar o aspecto etéreo de seus personagens, boiando no plano em busca de leveza. Assim, Walton Hoffmann cria um sistema de equilibrios sutis. Dança sobre a tela. Na junção de uma história pessoal e outra, coletiva, que nos cabe contar, surgem as silhuetas compostas no plano da tela, que dançam como que numa justaposição de almas. Formam um jogo amoroso de memória e homenagem à junção dos tempos e espaços, à vida. Como todo artista, Woffmann é ávido de tempo. Mas, o tempo aludido em sua obra não segue vestígios de cronologia. É um tempo fluído, que circula, desliza e se embaralha em um limiar de fisicalidade e imaterialidade. É o tempo suspenso no espaço. Tempo que não passa. Que flutua e espera para ser recombinado no desejo de se comunicar com cada ser no mundo. As figuras de Walton Hoffmann, suas silhuetas dançantes, suas coloridas homenagens aos brinquedos agrupam, num tempo/espaço libertos de cronologia, aquilo que realmente importa. |
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